Inter com déficit de R$ 160 mi: precisa de R$ 140 mi para salários

Inter com déficit de R$ 160 mi: precisa de R$ 140 mi para salários

O Internacional encerrou o primeiro semestre de 2026 com um rombo de R$ 160 milhões — 46% acima dos R$ 109,3 milhões que estavam previstos no orçamento. Os números foram apresentados ao Conselho Deliberativo na noite desta segunda-feira, no Beira-Rio. Para chegar a dezembro com os salários e os principais compromissos quitados, o clube precisa levantar pelo menos R$ 140 milhões. O valor foi revelado pelo presidente Alessandro Barcellos aos três candidatos que disputam sua sucessão, conforme apurou inicialmente o Correio do Povo.

É importante não confundir as contas. O déficit de R$ 160 milhões representa o resultado do semestre: a diferença entre o que o Inter gastou e o que arrecadou entre janeiro e junho. Já os R$ 117 milhões são outra história — trata-se de dívidas acumuladas desde 2021 com a compra de jogadores. Desse total, R$ 56 milhões já venceram e R$ 61 milhões ainda estão por vencer.

Somando esses valores aos R$ 202 milhões em passivos que vencem nos próximos dois anos, chega-se aos R$ 319 milhões que têm circulado como “R$ 320 milhões” desde a noite de segunda-feira.

Onde o orçamento furou

O primeiro furo veio da camisa. O Inter está sem patrocinador máster desde o fim do ano passado. O contrato com a empresa de apostas que estampava a marca no peito foi encerrado por inadimplência em janeiro, o que tirou pelo menos R$ 50 milhões dos cofres do clube, segundo o Correio do Povo.

O segundo veio do mercado. O planejamento previa arrecadar R$ 204 milhões com vendas de jogadores em 2026. Até agora, o Inter não alcançou nem um terço disso — menos de R$ 68 milhões. Somadas, as duas receitas representavam pelo menos R$ 254 milhões no orçamento. Boa parte desse dinheiro simplesmente não entrou.

Os salários dos jogadores estão em dia. No mês passado, o empresário Delcir Sonda doou R$ 20 milhões ao clube. O valor quitou pendências de direitos de imagem e parcelas do acordo com o elenco referentes ao 13º salário de 2025. A direção, no entanto, admite que precisará de novos recursos até o fim do ano.

No futebol, a conta aparece como punição. O Inter tem dois transfer bans ativos na Fifa: um pela dívida com o Midtjylland, da Dinamarca, na compra do zagueiro Juninho, e outro com o Olympiacos, da Grécia, pelo lateral Ramon. Juntos, os débitos somam 700 mil euros, cerca de R$ 4,1 milhões.

Outros cinco processos, que totalizam 6,4 milhões de euros (R$ 38 milhões), podem gerar novas sanções. Sem pagar, o clube não consegue registrar reforços na próxima janela.

Recuperação judicial descartada

A recuperação judicial foi discutida no encontro de domingo à noite. A reunião foi convocada pelo ex-presidente Fernando Carvalho e contou com a presença de Roberto Melo, José Alfredo Amarante e Leonardo Aquino, além do vice-presidente eleito Victor Grunberg, do vice de Finanças Leandro Bergmann e do presidente do Conselho, Gustavo Juchem.

Barcellos manteve a posição de que esse não é o melhor caminho neste momento. Segundo o presidente, o clube adota outras medidas, inclusive na área jurídica, para alongar o pagamento das dívidas.

Na mesma noite de segunda-feira, o Conselho rejeitou, por 107 votos a 74, o pedido de Roberto Melo para antecipar em uma semana o segundo turno da eleição. O calendário foi mantido: primeiro turno em 9 de novembro e segundo turno em 12 de dezembro. Dos 337 conselheiros, 195 participaram da reunião. Quem vencer vai herdar, logo na posse, os transfer bans, os R$ 319 milhões em compromissos e o mercado de janeiro travado, seja na Série A ou na Série B.

Fonte: br.bolavip.com

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