O segundo turno das eleições presidenciais mexeu com os ânimos do mercado — e os fundos imobiliários sentiram o tranco. O Ifix, índice que reúne os FIIs mais negociados na B3, fechou a sessão desta segunda-feira (26) com uma queda expressiva de 5,68%. Para se ter ideia da dimensão do tombo, trata-se do terceiro pior desempenho da história do indicador, ficando atrás apenas dos dias 12 e 18 de março de 2020, quando a pandemia da Covid-19 foi decretada e o índice recuou 6,57% e 13,23%, respectivamente.
A reação negativa veio após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República. O movimento, na prática, devolveu em um único dia os ganhos acumulados entre o primeiro e o segundo turno — período em que as carteiras chegaram a valorizar até 22%, embaladas pela expectativa de vitória do candidato da oposição.
O cenário foi de terra arrasada: nenhum dos 97 fundos que compõem o Ifix conseguiu encerrar o dia no campo positivo. Na ponta negativa, as perdas superaram os 17%. O TG Ativo Real (TGAR11), que havia sido o fundo com melhor desempenho antes do segundo turno, liderou as baixas com recuo de 17,22% na sessão e acumulando -47,8% no ano. Na sequência aparecem PVBI11 (-15,12%), VGHF11 (-13,91%), JSRE11 (-13,84%) e RCRB11 (-12,87%). Completam a lista das maiores quedas JSAF11 (-12,29%), BBIG11 (-12,22%), HSML11 (-11,94%), TEPP11 (-11,73%) e KORE11 (-11,06%).
Mas afinal, o que está por trás desse movimento? Marcos Baroni, head de fundos imobiliários da Suno, explica que o desempenho negativo está diretamente ligado à forte alta dos juros futuros, que acabou pressionando as cotações dos FIIs. Para ele, porém, é fundamental separar a queda dos preços de uma eventual deterioração dos fundamentos dos fundos. Em outras palavras: a desvalorização das cotas não significa necessariamente que os imóveis, os contratos ou a geração de renda dos fundos tenham piorado na mesma proporção.
Em publicação nas redes sociais, o Professor Baroni faz questão de ressaltar que essa distinção não elimina os riscos do novo cenário. Afinal, a alta dos juros pode comprometer a atratividade dos fundos imobiliários frente a outras aplicações, além de continuar pressionando as cotações no mercado secundário.
O especialista reforça que o investidor precisa entender o que mudou nos fundamentos e nas perspectivas econômicas antes de tomar qualquer decisão. A análise deve levar em conta fatores como a qualidade dos ativos, os contratos de locação, a capacidade de geração de renda e o impacto das condições financeiras sobre cada fundo.
Em análise divulgada após as eleições, Baroni também chamou a atenção para as incertezas relacionadas aos juros, à economia e aos possíveis efeitos sobre o mercado imobiliário. Mesmo com o resultado eleitoral definido, esses fatores seguem relevantes para o desempenho dos fundos — ou seja, o jogo está longe de acabar.
Fonte: www.infomoney.com.br



