Ibovespa recua 0,56% com cautela política, mas sobe 1,1% na semana

Ibovespa recua 0,56% com cautela política, mas sobe 1,1% na semana

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (11) em terreno negativo, pressionado por uma combinação de fatores que acendeu o sinal de alerta entre investidores. O índice de referência da Bolsa brasileira cedeu 0,56%, fechando aos 187.206,89 pontos. Ao longo do dia, oscilou entre a máxima de 188.586,47 pontos e a mínima de 186.207,69 pontos.

Apesar do recuo na sessão, o saldo semanal permaneceu positivo: alta de 1,11%, impulsionada pelo fluxo de capital estrangeiro e pelas pesquisas eleitorais que apontam uma corrida acirrada pela Presidência em outubro. Vale lembrar que a semana foi encurtada pelo feriado de segunda-feira.

O que tirou o ânimo do mercado? Dois ingredientes principais: os dados de inflação dos Estados Unidos e o desenrolar das investigações que envolvem o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro.

No campo político, o ministro Fachin acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que o ministro Mendonça retire o sigilo de todos os documentos dos inquéritos do caso Master. Apenas informações de diligências em andamento — cuja divulgação poderia atrapalhar as investigações — ficaram de fora.

Nos bastidores do mercado, a leitura é clara: o fim do sigilo pode respingar na popularidade de Flávio Bolsonaro, hoje o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto. Não é o primeiro baque na candidatura do senador. Um áudio em que ele pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme “Dark Horse”, já havia causado estragos. A produção conta a história de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Ainda nesta sexta, à noite, será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.

“Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco”, resumiu Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, comentando também a valorização do dólar antes do fim de semana.

Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters endossaram a percepção: a possibilidade de Flávio ser atingido pela quebra de sigilo, somada à expectativa pela nova pesquisa eleitoral, deixou o ambiente de negócios mais cauteloso.

IPCA E CPI

Mais cedo, o mercado digeriu o IPCA de agosto, que registrou deflação mais intensa do que o esperado. Os investidores também assimilaram o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio em linha com as projeções, e aguardam a pesquisa Datafolha.

Tanto o IPCA quanto o CPI reforçam as apostas de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic e de um aumento nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), na próxima quarta-feira.

Segundo o IBGE, o IPCA caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, acumulando variação positiva de 4,22% em 12 meses. Os números ficaram abaixo das medianas da pesquisa Projeções Broadcast, que apontavam -0,29% e avanço de 4,26%. De acordo com o banco BV, a difusão do IPCA atingiu 54,38% em agosto, ante 46,30% em julho.

Para Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, a queda do IPCA “abre caminho” para mais um corte na Selic, de 14% para 13,75%, na quarta-feira.

Já o CPI subiu 0,4% na margem em agosto e 3,4% na comparação interanual, dentro do esperado. “Contribui para o Fed elevar os juros na semana que vem, tendo em vista que os dados de inflação foram acima das expectativas e não foram capazes de demonstrar uma tendência de desinflação na economia americana”, avalia Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital.

(com Reuters)

Fonte: www.infomoney.com.br

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