O Grêmio está em um momento delicado. A pressão por resultados aumenta a cada rodada, e o nome de Luís Castro começa a ser questionado pela torcida. Mas será que a demissão do treinador é realmente a solução? A resposta, analisando friamente, é não — pelo menos não agora. E não estou falando apenas de futebol, mas de estratégia e planejamento.
É claro que o treinador não está imune a críticas. Ele foi contratado para fazer o time vencer, e quando isso não acontece, é natural que a cobrança chegue. Mas existe uma diferença enorme entre cobrar e agir no impulso. No caso do Grêmio, essa diferença pode custar caro — e não só no bolso.
O clube está no meio de uma reformulação profunda no elenco. Jogadores saíram, outros chegaram, e várias dessas contratações foram feitas sob medida para o estilo de jogo de Luís Castro. Demiti-lo agora seria como jogar fora um projeto inteiro, jogando também no lixo o investimento e a confiança depositados no português.
E se a diretoria ainda acredita no trabalho dele, uma sequência ruim não pode apagar essa convicção. No futebol brasileiro, infelizmente, a cultura do ‘resultado imediato’ muitas vezes atropela o bom senso. Mas o Grêmio precisa decidir se quer ser um clube que constrói ou um que apenas reage.
Outro ponto que pesa é o financeiro. Treinadores portugueses costumam ter cláusulas de rescisão mais robustas que as dos brasileiros. Se o Grêmio romper o contrato agora, vai desembolsar uma multa significativa. E aí vem a parte mais complicada: o dinheiro gasto não serviria apenas para mandar Luís Castro embora. O clube precisaria contratar outro técnico, que provavelmente vai querer trazer sua própria comissão e, muitas vezes, pedir reforços. Ou seja, um novo ciclo de gastos.
E quem viria? Essa é a pergunta que a diretoria precisa responder antes de qualquer decisão. O novo treinador vai aceitar trabalhar com um elenco que foi montado para Luís Castro? Provavelmente não. E aí, mais uma reformulação? Mais investimento? Mais tempo perdido?
O caso de Krovinovic é emblemático. O Grêmio foi buscar um jogador com um perfil específico, raro no futebol brasileiro, justamente porque ele se encaixa nas ideias de Castro. Contratar um atleta assim e, duas semanas depois, mandar embora o técnico que pediu por ele seria um tiro no pé — uma demonstração clara de falta de planejamento.
Se a direção perdeu a confiança no trabalho, aí sim a mudança é inevitável. Mas se a convicção permanece, trocar o técnico apenas por pressão externa seria repetir um erro que já custou caro a tantos clubes. O Grêmio precisa olhar para o longo prazo, ter paciência e dar tempo ao trabalho. Reagir no impulso, nesse momento, seria o maior erro de todos.
Fonte: br.bolavip.com



