A goleada sofrida para o Atlético-MG, por 3 a 0, foi um tapa de luva de pelica na face do Grêmio. Mais do que um revés pontual, o jogo expôs, novamente, as fragilidades que o time vem arrastando por várias rodadas. Se não fosse as defesas milagrosas de Weverton, o placar poderia ter sido uma humilhação ainda maior, chegando a 5 ou 6.
A responsabilidade por esse desempenho apático, na minha visão, recai diretamente sobre Luís Castro. O treinador persiste em um esquema que não decola e parece incapaz — ou sem vontade — de buscar alternativas. A escalação com três volantes, dois pontas e uma estrutura engessada deixa o time previsível, sem criatividade e facilmente anulado pelos adversários.
Fica uma pergunta legítima: será que Luís Castro não conhece outro desenho tático? Por que o Grêmio é obrigado a jogar sempre da mesma forma? Depois de tantas partidas sem evolução, por que não ousar, testar uma formação diferente, dar uma cara nova ao time? O apego a um modelo que não funciona é, no mínimo, teimoso.
O problema é que o discurso do resultado não se sustenta mais. O Grêmio passou pelo Mirassol sem convencer, venceu o São Paulo mais na raça do que na técnica. As vitórias foram construídas com entrega e superação individual, não com um padrão coletivo que indique progresso.
Respeito o vice-presidente Rafael Lima, mas não consigo enxergar um bom trabalho de Luís Castro até aqui. Talvez o convívio diário nuble a visão de quem está próximo do treinador. Uma equipe em evolução não precisa, obrigatoriamente, vencer sempre, mas precisa mostrar sinais de melhora, uma identidade mais clara, correção de erros recorrentes. No Grêmio, isso é uma miragem. Os mesmos erros, a mesma previsibilidade, a mesma falta de criação.
E tem um ponto que o treinador precisa explicar: por que o tratamento com Monsalve é tão diferente do dado a Tetê? Monsalve foi afastado por baixo rendimento, mas Tetê segue tendo chances mesmo sem mostrar futebol convincente desde que chegou. Qual é o critério? O torcedor não é cego e merece respostas.
Hoje, Pedro Gabriel foi um desastre, Dodi segue sem render nada desde que chegou, e Pavón continua ganhando oportunidades apesar da produção técnica irrisória. Essas escolhas reforçam a sensação de que o treinador está refém das próprias convicções.
Não é errado ter uma ideia de jogo. Todo treinador tem. O erro é insistir nela quando ela falha repetidamente. Futebol exige adaptação, leitura de jogo e coragem para admitir que algo não está dando certo.
A derrota para o Atlético-MG foi dolorosa, pesada e até constrangedora. O Grêmio precisa de uma atitude interna firme, não necessariamente precipitada, mas definitiva. Continuar do jeito que está é aceitar a involução.
O torcedor gremista merece mais do que sofrimento e desculpas. Ele precisa ver um horizonte. E, sinceramente, com Luís Castro repetindo as mesmas escalações e os mesmos erros, esse horizonte não aparece. A direção precisa avaliar o trabalho com frieza, não apenas a relação do dia a dia. O tempo está se esgotando e a esperança, também.
Fonte: br.bolavip.com



