Tem noite que parece conspirar contra. E foi exatamente isso que o Grêmio viveu nesta quarta-feira no Maracanã: além de levar 3 a 1 do Flamengo, o Tricolor acompanhou de camarote Internacional, Vasco e Mirassol cumprirem suas obrigações e vencerem seus jogos. Resultado? O time gaúcho despencou de volta para a zona de rebaixamento, num daqueles cenários que fazem o torcedor apertar o peito e repensar o campeonato inteiro.
A pressão sobre Renato Portaluppi cresce a cada rodada. Perder para o Flamengo, convenhamos, não era exatamente uma surpresa — a diferença técnica entre os elencos sempre esteve escancarada. O problema é que a combinação de resultados da rodada transformou um revés previsível numa verdadeira bomba. Agora, o duelo em casa contra o Bahia deixa de ser apenas mais um jogo: ganhou status de decisão antecipada para o Imortal.
No começo, até deu para sonhar. O Grêmio segurou o ímpeto carioca nos primeiros minutos, arriscou algumas subidas e tentou atrapalhar a construção ofensiva dos donos da casa. Mas essa resistência tinha prazo de validade — e ele venceu aos 20 minutos, quando a superioridade técnica do Flamengo veio à tona sem pedir licença.
Arrascaeta, Pedro e Samuel Lino precisavam de poucos toques para encontrar espaços e chegar ao ataque com uma facilidade quase constrangedora. A defesa gremista não conseguia acompanhar a movimentação adversária, e o Flamengo nem precisava de jogadas elaboradas para desmontar o sistema defensivo do Tricolor. Pedro marcou duas vezes, Samuel Lino deixou a sua, e o 3 a 0 no intervalo traduzia com precisão o abismo entre as duas equipes naquela etapa. O fantasma de outra goleada histórica rondava o Maracanã.
Renato apostou numa formação bastante alterada, recheada de reservas. Marcos Rocha voltou a atuar, Kannemann e Gustavo Martins formaram a dupla de zaga, Pedro Gabriel apareceu na lateral esquerda, Caio Paulista jogou mais adiantado como extremo, e Braithwaite e Tetê começaram entre os titulares. Um laboratório que, no primeiro tempo, produziu mais erros do que acertos.
No intervalo, o técnico mexeu: João Pedro, Enamorado e Amuzu entraram e deram outro equilíbrio ao time. O Grêmio passou a ocupar mais o campo ofensivo, teve mais posse e encontrou espaços que simplesmente não existiram nos primeiros 45 minutos. Claro, é preciso ser justo: o Flamengo também diminuiu o ritmo, afinal, com três gols de vantagem, não havia por que manter a mesma intensidade. Mesmo assim, Pedro continuou desfilando em campo, distribuindo passes espetaculares e protagonizando jogadas de alto nível.
O desconto veio com Amuzu, numa cobrança de falta espetacular. E o gol escancarou uma característica que faz falta ao elenco gremista: a capacidade de partir para cima, tentar o drible e criar alternativas individuais. Hoje, Amuzu é o jogador de frente que mais oferece esse tipo de recurso ao Grêmio, buscando espaços para finalizar ou servir companheiros em melhores condições.
Com a melhora na segunda etapa, o Tricolor até teve chances de diminuir ainda mais a desvantagem. Avançou, mostrou presença ofensiva e exibiu uma postura diferente daquela do primeiro tempo. Nos minutos finais, porém, o Flamengo ainda criou duas grandes oportunidades para ampliar o placar — mas não conseguiu transformar em gol. Para o Grêmio, o alívio foi mínimo diante do tamanho do problema que a rodada escancarou.
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Fonte: br.bolavip.com



