O Palmeiras vive um daqueles momentos em que a euforia e a preocupação caminham lado a lado. No último domingo (11), o time atropelou o Corinthians por 4 a 1, com direito a dois gols de Agustín Giay, e pareceu finalmente encontrar um encaixe capaz de unir força ofensiva e solidez defensiva. Só que o destino cobrou seu preço: tanto o lateral argentino quanto o capitão Gustavo Gómez receberam o terceiro cartão amarelo e estão fora do duelo contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão. A vitória foi linda, mas o calendário não deu trégua.
Se o problema fosse apenas substituir peças, bastaria olhar o banco e mandar a escalação. Mas o desafio de Abel Ferreira é bem maior: manter uma estrutura que começa a dar sinais de consistência justamente quando o time entra numa sequência em que cada escolha ecoa em duas competições. Na quarta-feira (14), o Verdão encara o Fluminense, no Maracanã, pela ida da semifinal da Libertadores. No sábado (17), visita o Athletico-PR, em Curitiba, pelo Brasileirão. São apenas três dias entre um compromisso e outro, com exigências distintas e pouquíssimo espaço para improvisos.
Gómez é o coração dessa equação. Capitão, líder técnico e um dos principais organizadores da linha defensiva, o paraguaio vai muito além de cortar cruzamentos ou ganhar duelos aéreos. Sua presença influencia o posicionamento dos companheiros, a proteção da área e a tomada de decisão quando o adversário acelera. Substituí-lo exige encontrar alguém que execute essas funções dentro do coletivo. A braçadeira pode até mudar de braço sem maiores traumas, mas comandar a defesa é outra história.
O contexto tático só aumenta a preocupação. Nos últimos jogos, Abel achou rendimento numa formação com três zagueiros e três meio-campistas, modelo que ajudou a controlar os adversários e chegou à goleada sobre o Corinthians. A presença de Gómez favorece esse arranjo porque dá referências claras aos demais defensores. Tirar o capitão não obriga o treinador a abandonar o sistema, mas exige avaliar se os substitutos oferecem as mesmas condições de posicionamento, cobertura e saída de bola. Uma formação desenhada no quadro só funciona quando os jogadores a executam no gramado.
Bruno Fuchs surge como alternativa para a zaga, inclusive se o ‘Gajo’ mantiver os três defensores. Murilo e Alexander Barboza também entram nessa discussão, seja para preservar a estrutura, seja para uma eventual linha de quatro. O importante é saber qual combinação mantém as distâncias entre os setores e evita correções durante a partida. Em jogos decisivos, a melhor substituição nem sempre é a que replica as características do ausente, mas aquela que exige menos adaptações do conjunto.
Giay adiciona outra variável. Autor de dois gols no Dérbi, o argentino transformou uma atuação de destaque em argumento a favor de sua importância. Sua ausência, porém, abre espaço para Khellven, que já atuou na lateral-direita. O substituto é uma opção natural, mas a troca precisa ser avaliada dentro do desenho coletivo. Se o Palmeiras usar três zagueiros, a função do ala exige amplitude, intensidade para atacar o espaço e capacidade de recomposição. Se optar por uma linha de quatro, as responsabilidades mudam. Não basta trocar o nome na escalação e achar que tudo permanecerá igual.
Há
Fonte: br.bolavip.com



