Abel Ferreira parece ter encontrado uma forma inteligente de extrair o melhor de Giay sem engessá-lo na lateral direita. O argentino vive um momento distinto no Palmeiras, e a convocação para a seleção argentina só confirma que algo mudou. Mas o ponto central não é a convocação em si, e sim como o jogador passou a ser usado: cada vez menos preso à função de lateral e cada vez mais como ala dentro de uma estrutura com três zagueiros.
À primeira vista, a alteração pode parecer sutil. No entanto, as consequências táticas são profundas. Como ala, Giay ganha liberdade para avançar mais pelo corredor, atacar espaços e participar da construção ofensiva com mais frequência. Ao mesmo tempo, os três zagueiros garantem a cobertura necessária para que ele assuma riscos que seriam impensáveis em uma linha de quatro defensores.
Dessa forma, o Palmeiras parece ter descoberto uma nova alternativa para um atleta que chegou com outra expectativa. Giay foi contratado para atuar na lateral direita, mas a evolução do sistema de Abel abriu uma porta diferente. Em vez de forçá-lo a se adaptar às exigências de um lateral clássico, o treinador encontrou uma configuração que explora características mais úteis quando ele joga alguns metros à frente.
O ganho não se limita à capacidade de chegar ao ataque. A função de ala exige leitura de jogo para saber quando acelerar, quando manter a amplitude e quando recompor. O versátil jogador passa a ser responsável por oferecer largura enquanto outros ocupam o interior. Essa movimentação cria linhas de passe, empurra a defesa adversária para trás e abre corredores para companheiros que aparecem entre as linhas.
A estrutura defensiva também explica por que o uso de Giay ganhou novo significado. Com três zagueiros protegendo a última linha, o Palmeiras sustenta uma postura mais agressiva pelos lados sem transformar cada avanço do ala em um risco defensivo imediato. Não que o sistema resolva todos os problemas, mas oferece um contexto no qual Giay pode exercer uma função mais compatível com sua dinâmica e capacidade de deslocamento.
A confiança de Abel, portanto, deve ser medida pelas escolhas. Quando um treinador modifica a função de um jogador e continua apostando nele em diferentes contextos, há um sinal claro de que aquela alternativa entrou no repertório. Giay deixa de ser apenas um substituto ou um cumpridor de função e passa a representar uma possibilidade tática específica.
Isso também influencia o comportamento dos companheiros próximos. Um ala aberto e agressivo permite que um meia receba mais por dentro, enquanto um atacante pode atacar zonas diferentes sabendo que há alguém oferecendo amplitude pelo corredor. O efeito, portanto, não se restringe ao desempenho individual de Giay. A questão mais interessante é entender como sua presença altera a ocupação dos espaços pelo Verdão.
Por isso, reduzir o momento do argentino à ideia de que “está jogando bem” seria perder o ponto principal. O Palestra parece ter encontrado uma maneira diferente de utilizar um jogador que ainda constrói seu espaço no elenco. A evolução passa por compreender que sua contribuição pode ser maior quando ele não precisa reproduzir exatamente o comportamento de um lateral tradicional.
Um recurso providencial para Abel
A convocação para a Seleção Argentina acrescenta um elemento importante à história, embora mereça a devida proporção. O fato mostra que Giay vive um momento de visibilidade, mas o que realmente importa é como Abel transformou essa fase em uma arma tática para o Palmeiras.
Fonte: br.bolavip.com



