A saída de Luis Zubeldía do comando do Fluminense, anunciada na manhã de quinta-feira (13), não pegou ninguém de surpresa. O que surpreende, na verdade, é a demora da diretoria em tomar essa decisão. O trabalho do argentino vinha em queda livre há meses, e os sinais de esgotamento eram claros — mas a cúpula tricolor preferiu segurar o técnico até o limite, pagando caro por isso no calendário.
O estopim foi o empate sem gols com o Independiente Rivadavia, no Maracanã, pela Libertadores. Mas a crise não nasceu ali. Ela vinha se desenhando desde abril, quando o time engatou quatro partidas sem vitória, incluindo derrotas para o próprio Rivadavia e para o Flamengo. As classificações nas copas ainda seguravam a onda, mas o futebol vistoso do início já não existia mais.
A gota d’água, porém, foi a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil e o empate com o Botafogo no Brasileirão. Mesmo assim, Zubeldía permaneceu. Só caiu após o oitavo jogo oficial consecutivo sem triunfo — um recorde negativo que manchou um começo promissor.
E que começo! Nos primeiros 36 jogos, o argentino teve aproveitamento melhor que o de Cuca, Abel Braga e Fernando Diniz, além de quebrar marcas históricas no Maracanã. Mas o futebol apresentado após a pausa para a Copa do Mundo foi outro. Desde a vitória por 3 a 1 sobre o Deportivo La Guaira, em 27 de maio, o time não venceu mais: foram sete empates e uma derrota.
A equipe perdeu a força justamente onde era imbatível: o Maracanã. A derrota para o Vasco e o empate com o Rivadavia em casa escancararam o problema, enquanto a diretoria assistia passivamente ao desmanche. A demissão, que deveria ter ocorrido durante a pausa da Copa do Mundo, veio tarde — e agora o Fluminense paga o preço com a pressão redobrada para as próximas decisões.
Os números finais de Zubeldía mostram o contraste: em 61 jogos, foram 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas. O quarto lugar no Brasileirão de 2025 foi o ponto alto, mas as eliminações para o Vasco, o vice no Carioca e a campanha irregular na Libertadores selaram o destino do treinador.
Agora, o auxiliar Marcão assume interinamente e terá um teste de fogo: enfrentar o Palmeiras no sábado (15), às 16h30, no Maracanã, pelo Brasileirão. Na terça-feira (18), o Fluminense decide a vida na Libertadores contra o Rivadavia, em Mendoza. O momento exige respostas imediatas — e a diretoria, que demorou a agir, espera que o time reaja antes que o ano vire um desastre completo.
Fonte: br.bolavip.com



