Flávio Bolsonaro: 1,8 mil ameaças de morte e a sombra do medo na campanha

Flávio Bolsonaro: 1,8 mil ameaças de morte e a sombra do medo na campanha

Na madrugada deste domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acendeu um alerta que ecoou pelos quatro cantos do país: em uma live, ele afirmou ter recebido mais de 1,8 mil ameaças de morte após declarar publicamente que pretende classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações terroristas. “Vocês estão vendo aí. Foi só eu dizer que vou classificar PCC, CV e milícias como organizações terroristas, já recebi mais de mil e oitocentas ameaças de morte”, disparou o candidato à Presidência, em uma transmissão que começou à meia-noite.

Essa não é uma retórica isolada. Nos últimos meses, a equipe de Flávio, aliados e perfis de apoio vêm martelando a tese de que há um risco real de atentado contra o senador. Mas de onde vêm essas ameaças? Até agora, nenhum detalhe concreto foi revelado. O que se sabe é que, segundo a campanha, 30 dessas ameaças já viraram investigações conduzidas pela Polícia do Senado Federal, responsável pela segurança do parlamentar em Brasília e em viagens. E o caso mais recente chamou a atenção: um suposto plano de ataque em Juiz de Fora, na segunda-feira, 17, teria sido frustrado por agentes que conduziram o suspeito à delegacia.

Flávio, que se tornou herdeiro político de Jair Bolsonaro e agora é o nome do PL na corrida pelo Planalto, tomou uma decisão polêmica em julho: dispensou a escolta da Polícia Federal, alegando que poderia haver infiltrados entre os agentes. A justificativa? A PF é chefiada por Andrei Rodrigues, indicado pelo PT. Uma desconfiança que, para muitos, soa como estratégia política, mas para ele é questão de vida ou morte.

A PF, aliás, tem uma estrutura robusta para proteger candidatos: a Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP) é capaz de atender até dez candidaturas simultâneas, com equipes especializadas em todos os estados e acompanhamento permanente das agendas. Mas Flávio preferiu seguir com segurança própria, usando colete à prova de balas em eventos públicos, como fez no lançamento da campanha em Copacabana, no último domingo.

A narrativa de um suposto atentado ganhou força a partir de dois episódios. O primeiro foi a viagem do senador aos EUA, onde se encontrou com a cúpula da Casa Branca para defender o enquadramento de organizações criminosas como narcoterroristas. O segundo veio depois que Lula, em um discurso, sugeriu “enforcar traidores da Pátria” — uma referência velada à suposta subserviência de Flávio a Donald Trump.

Em resposta, os advogados da campanha, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo providências contra o que chamaram de “repetição de discurso de ameaças e incitação à violência” por parte de Lula. A equipe de comunicação, por sua vez, tem divulgado notas oficiais sobre o temor com a violência, citando “crescentes ameaças à vida de Flávio Bolsonaro”.

Números que assustam: segundo a campanha, em nota divulgada em 22 de julho, as ameaças se dividem em 868 ameaças explícitas, 647 manifestações de incitação à violência, 640 referências codificadas e 133 conteúdos ligados a planejamento ou oportunidade de ataques. E, diante disso, a segurança foi reforçada: o efetivo foi triplicado e o colete balístico virou item obrigatório.

Flávio, que costuma fazer lives semanais às quintas-feiras, já havia dito que começou a sofrer “ameaça de morte sem parar” quando passou a defender o enquadramento das facções como narcoterroristas. “Em alguns eventos vocês veem como eu tenho que estar de colete à prova de balas. Não posso fazer como eu adoro fazer, de entrar no meio da galera, abraçar e tirar fotos”, desabafou ele, em um misto de lamento e alerta.

A pergunta que fica é: até que ponto essa escalada de tensão é real e até que ponto é estratégia de campanha? O fato é que, em um país onde a polarização já custou vidas, cada palavra e cada gesto ganham um peso enorme. E Flávio, ciente disso, transformou a própria segurança em um tema central de sua corrida eleitoral. Agora, resta acompanhar como essa narrativa vai influenciar o eleitorado e, principalmente, como as instituições vão lidar com esse cenário de medo e desconfiança.

Fonte: www.infomoney.com.br

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