Cresci em Xerém, e ali a vida sempre girou em torno de dois símbolos: o Zeca Pagodinho e o CT Vale das Laranjeiras. É comum ver meninos e meninas de todas as idades vestindo o manto tricolor pelas ruas — não apenas como torcedores, mas como parte de um dos maiores orgulhos do clube: a formação de talentos. Mas, após a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, algo me chamou a atenção de forma preocupante.
Quando o apito final soou, o time que encerrou a partida tinha uma média de idade superior a 32 anos. E o pior: no momento em que perdia por 2 a 0 e precisava de gols, Zubeldía olhou para o banco e lançou a ‘cavalaria’: Ganso, Cano e Hulk. Nada contra eles — os dois primeiros são ídolos históricos da Libertadores, e Hulk, mesmo aos 40 anos, participou do gol que trouxe esperança. Mas o autor desse gol, Martinelli, de 24 anos, era o único formado na base em campo. Ele também era o jogador mais novo do time naquele instante.
No banco, o único ‘Moleque de Xerém’ era o goleiro reserva Marcelo Pitaluga, recém-chegado da Europa. Mas isso não surpreende mais: virou rotina no Fluminense. Em 2026, Zubeldía passou quase quatro meses sem escalar nenhum jogador revelado nas categorias de base. Promessas como o lateral Julio Fideliz e os atacantes Matheus Reis, Riquelme Felipe e Wesley Natã foram praticamente ignoradas pela comissão técnica.
O Fluminense está se distanciando de sua essência. Fora de mais uma competição, com o Brasileirão e a Libertadores cheios de incertezas, a diretoria precisa refletir urgentemente sobre o rumo. Quando o time precisava de gols, o reforço mais caro do ataque, Castillo (contratado por 13 milhões de dólares), estava no banco e não resolveu. E o problema tende a piorar, já que John Kennedy sofreu uma lesão.
Um clube que sempre foi celeiro de craques termina um jogo decisivo com média de idade acima dos 32 anos. O torcedor fica sem saber se os garotos não têm potencial ou se há um descaso explícito de Zubeldía. O argentino, inclusive, vive dias de pressão, e sua permanência já não é consenso nos bastidores. A solução, talvez, esteja onde tudo começou: em Xerém. Com Fred recém-contratado para dirigir o Sub-20, o clube pode resgatar suas raízes e provar que o futuro não precisa ser construído às custas do abandono do passado.
Fonte: br.bolavip.com



