O mercado financeiro brasileiro abriu a semana em clima de turbulência. Nesta segunda-feira (26), o dólar à vista disparou 8,21% e encerrou o dia cotado a R$ 5,403 na venda, segundo dados divulgados. A reação veio após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo turno — um resultado que contrariou as projeções predominantes entre os agentes financeiros, que trabalhavam com maior chance de vitória de Flávio Bolsonaro.
A disparada não se limitou ao mercado à vista. O dólar futuro para novembro, o contrato mais negociado no Brasil, avançava 12,58% na B3, alcançando R$ 5,600. No câmbio comercial, a cotação de compra ficou em R$ 5,402 e a de venda em R$ 5,403.
Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O presidente reeleito somou 64 milhões de votos — quase 8 milhões a mais do que havia obtido no primeiro turno. Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que não reconhece a derrota e afirmou que solicitará a anulação do pleito, alegando que o adiamento de duas horas no fechamento das urnas, determinado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), configurou um desrespeito às regras com a disputa em curso. Em sua decisão, porém, Zanin registrou que ambas as campanhas haviam feito pedidos nesse sentido.
Para Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, o mercado simplesmente não estava preparado para esse desfecho. Ele observa que, nos cenários de vitória de Bolsonaro, quanto maior a vantagem, melhor seria o desempenho dos ativos — e agora o caminho oposto se impõe, com um ajuste severo de preços desde a abertura.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, destaca que o resultado eleitoral provocou uma mudança relevante na percepção de risco sobre o Brasil. Já Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, lembra que o mercado vinha precificando a possibilidade de uma nova condução da política fiscal, com mais controle sobre os gastos públicos. Com a vitória de Lula, os investidores precisam revisar essas expectativas — sobretudo porque o presidente não terá maioria própria no Congresso.
“A expectativa é de uma semana de maior cautela, com o Ibovespa pressionado, dólar em alta e juros futuros subindo”, avalia Lima. De acordo com o especialista, o temor central dos agentes financeiros é que a dívida pública continue crescendo sem medidas consideradas suficientes para estabilizá-la.
(Com Reuters)
Fonte: www.infomoney.com.br



