DIs Disparam 250 Pontos com Vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro

DIs Disparam 250 Pontos com Vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro

O mercado financeiro brasileiro viveu um terremoto na segunda-feira pós-eleição. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) dispararam mais de 250 pontos-base em alguns contratos, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto — um resultado que pegou boa parte dos investidores no contrapé.

A explosão dos prêmios na curva de juros tem duas raízes bem claras. Primeiro, um ajuste técnico em relação às baixas registradas após o primeiro turno, quando Flávio liderava as pesquisas. Segundo, e talvez mais importante, a preocupação real com o futuro da política fiscal do país. Afinal, o mercado havia se posicionado majoritariamente esperando uma vitória de Flávio, e o ajuste foi inevitável.

No fechamento da tarde, o DI para janeiro de 2028 marcava 14,8%, uma alta de 194 pontos-base frente ao ajuste de 12,859% da sexta-feira anterior. Já a ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2031, batia 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante os 12,642% anteriores.

O dia começou turbulento. Logo cedo, os negócios com DIs foram paralisados após várias taxas atingirem os limites de alta. A B3 tratou de ampliar esses limites ainda pela manhã, mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio. Às 11h02, depois de uma paralisação, o DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, uma alta de 330 pontos-base sobre o ajuste de sexta.

O motivo? A vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos. Com Flávio no Planalto, o mercado enxergava mais chance de controle das contas públicas — mesmo que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado propostas concretas para cortar gastos durante a campanha. Com Lula vencedor, os prêmios voltaram à curva, especialmente nos contratos longos, mais sensíveis à política fiscal. Tudo isso em paralelo ao tombo do Ibovespa e à disparada do dólar frente ao real.

O movimento foi tão forte que as taxas superaram até os patamares vistos antes do primeiro turno. Ou seja: o mercado não só reincorporou os prêmios perdidos, como acrescentou novos. O DI para janeiro de 2031, que fechou a segunda em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.

O Tesouro Nacional também entrou em campo para tentar acalmar os ânimos. Pela manhã, anunciou o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o do leilão de papéis prefixados na quinta. Por outro lado, manteve o leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), indexadas à Selic, previsto para terça. Além disso, recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados no fim da manhã e mais R$ 7,7 bilhões em títulos indexados à inflação durante a tarde — uma atuação para suavizar a disparada das taxas.

A vitória de Lula também mexeu forte com a parte curta da curva, que passou a precificar a possibilidade de o Copom não cortar a Selic, hoje em 13,75%, na próxima semana. No auge da pressão pela manhã, a curva chegou a precificar aumento de 25 pontos-base na Selic. Na sexta-feira, havia quase 100% de chance de um novo corte de 25 pontos-base. No fim da tarde, a curva já precificava outro cenário — um dia para ficar na história do mercado.

Fonte: www.infomoney.com.br

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