Quando Fernando Diniz foi anunciado no Corinthians, a expectativa era de ver aquele time com a cara do treinador: intenso, propositivo, cheio de personalidade. Mas a realidade tem sido bem diferente. Até agora, o elenco não conseguiu, de forma consistente, traduzir em campo as ideias que fizeram do Dinizismo uma filosofia tão celebrada no futebol brasileiro.
O que mais chama atenção, porém, não é só o desempenho dos jogadores. Na derrota para a Chapecoense, quem estava no estádio percebeu algo atípico: um Diniz apático. Cadê aquele técnico que gesticula sem parar, que grita, que cobra cada lance como se fosse o último? Onde está aquele que morde o próprio braço em momentos de desespero e transmite uma energia quase elétrica para o time?
Nos minutos finais da partida, um lance simbolizou bem esse momento: Breno Bidon tentou uma bicicleta totalmente fora de contexto, algo que irritaria qualquer torcedor — e que, em circunstâncias normais, renderia uma bronca histórica do treinador. Mas Diniz, dessa vez, nem esboçou reação. Ficou ali, observando, como se aceitasse o absurdo. Isso diz muito sobre o estado atual do trabalho.
A Libertadores, nesse cenário, virou o prato que Diniz ainda tenta equilibrar. A crise financeira do clube torna praticamente inviável uma troca de comando agora, e isso acaba dando ao treinador uma blindagem que ele talvez não tivesse em outras circunstâncias. O jogo contra o Estudiantes, nesta quarta-feira, ganha um peso enorme: é a chance de provar que existe algo a ser salvo, que ainda há esperança dentro desse caos.
Vale lembrar que, antes da pausa para a Copa do Mundo, o aproveitamento de Diniz era de quase 65%, com nove vitórias, quatro empates e apenas três derrotas. No recorte geral, porém, esse número despencou para 54,8%, com 13 vitórias, sete empates e oito derrotas. A queda é evidente, e as quatro derrotas consecutivas, muitas delas dentro da Neo Química Arena, pesam demais na balança.
Claro que não dá para colocar toda a culpa no colo de um único homem. Seria confortável demais — e injusto, na verdade. O Corinthians enfrenta problemas estruturais, decisões erradas no planejamento, um elenco que parece desequilibrado e uma pressão externa que só aumenta. Diniz tem sua parcela de responsabilidade, os jogadores têm a deles, e a diretoria também precisa olhar para o próprio umbigo.
A verdade é que, até aqui, não há sinais convincentes de que essa realidade vai mudar tão cedo. O Dinizismo, que já encantou o país, ainda não apareceu no Corinthians. E se o time não mostrar algo diferente contra o Estudiantes, o prato que Diniz equilibra pode cair de vez — levando junto a última chance de salvar este trabalho.
Fonte: br.bolavip.com



