Data Fifa bagunça hierarquia no Palmeiras e cria dilema para Abel

Data Fifa bagunça hierarquia no Palmeiras e cria dilema para Abel

A pausa da Data Fifa no Palmeiras parecia só um respiro para recuperar o elenco e ajustar a casa antes da reta final. Mas o que Abel Ferreira encontrou foi um cenário bem diferente: sem 11 jogadores do time principal, o treinador teve que montar os treinos com uma fotografia totalmente nova. Agora, com o retorno dos convocados, a pergunta que não quer calar é se cada um ainda ocupa o mesmo espaço na hierarquia que existia antes da paralisação.

Isso pesa ainda mais porque o Palestra volta para uma sequência decisiva. No dia 8 de outubro, contra o Bahia, começa uma maratona de dez compromissos em 30 dias, com Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil no caminho. Logo depois vêm Corinthians e Fluminense, em apenas seis dias. A margem para testes some quando a bola voltar a rolar. Por isso, cada escolha de Abel na retomada vai carregar também uma projeção do que ele pretende usar nas semanas seguintes.

A Data Fifa pode ter gerado uma consequência mais importante do que qualquer treino tático. Com Gómez, Giay, Piquerez, Emiliano Martínez, Arias, Sosa, Maurício e Flaco López fora, além dos jovens da Seleção Sub-20, Abel teve que montar atividades sem boa parte das peças que normalmente definem sua equipe. Não houve jogo-treino nessa pausa, e os coletivos foram completados por garotos da base. O cenário impediu uma preparação convencional, mas também tirou por alguns dias o peso automático de certas hierarquias.

Isso não quer dizer que um reserva tenha simplesmente tomado a vaga de um titular. O que Abel precisa descobrir agora é se algumas funções podem ser exercidas de forma mais eficiente por combinações diferentes. A defesa pode ganhar outra configuração com três zagueiros e Giay como ala; o meio-campo pode ser reorganizado a partir das características de Andreas, Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Emiliano; e o ataque ganhou uma variável extra com a proximidade do retorno de Paulinho.

Na defesa, a discussão não deveria se limitar a escolher três ou quatro nomes. Giay já mostrou que pode cumprir uma função diferente quando Abel usa uma linha de três, enquanto a presença de Marlon Freitas também abre possibilidades para uma equipe que precisa proteger melhor os corredores e dar liberdade aos jogadores de lado. Com Gómez e Piquerez voltando de suas seleções, o treinador terá novamente suas peças mais experientes. Mas a pergunta é inevitável: a estrutura que funcionou antes da pausa ainda é necessariamente a melhor para a maratona que começa agora?

No meio-campo, o Palmeiras perdeu Allan durante a temporada e precisou redistribuir funções. Andreas Pereira assumiu protagonismo, Marlon Freitas virou uma peça de enorme utilização, Lucas Evangelista acrescentou alternativas e Emiliano Martínez oferece características diferentes para determinadas partidas. Não existe apenas uma disputa por posição. Existe uma disputa de modelos. Dependendo da combinação escolhida, Abel pode ter mais passe, mais proteção, mais chegada ou mais capacidade de pressionar. A reta final exige justamente que essas diferenças sejam aproveitadas.

No ataque, a volta de Paulinho acrescenta a grande novidade tão aguardada. Desde que chegou ao clube, participou de apenas 25 dos 132 compromissos do Palestra, o que torna sua reintegração mais delicada do que simplesmente colocá-lo de volta entre os titulares. Mas, se estiver disponível, ele oferece uma característica diferente para o setor e pode interferir diretamente na distribuição de minutos entre os homens de frente.

Flaco retorna como um dos principais goleadores, mas o leque ofensivo está mais amplo. A questão é como encaixar tantas opções sem perder poder de fogo. Abel terá que decidir se mantém a hierarquia antiga ou se dá espaço para quem se destacou na ausência dos titulares. O que está em jogo não é apenas uma vaga, mas o modelo de jogo que pode definir o sucesso do Palmeiras na temporada.

Fonte: br.bolavip.com

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