Você já parou para pensar quanto tempo o Corinthians consegue manter seus problemas políticos longe dos gramados? A resposta é simples: nunca. As disputas nos bastidores, as decisões administrativas e a instabilidade institucional sempre dão um jeito de invadir o futebol. E agora, mais uma vez, isso ficou evidente.
Após o vice-campeonato do Brasileirão Feminino, a treinadora Emily Lima foi sincera ao falar sobre a insegurança gerada pelo cenário político e financeiro do clube. Ela não hesitou em afirmar que essa situação atrapalha o trabalho, especialmente porque o Corinthians está impedido de registrar novas jogadoras por causa dos transfer bans.
O problema é que a política acaba se tornando parte da rotina do futebol
Não é como se atletas, treinadores e profissionais entrassem em campo desejando que o clube atravessasse uma crise. Muito pelo contrário. A questão é que existe uma estrutura que, há anos, produz instabilidade suficiente para que quem trabalha no futebol tenha que lidar com as consequências.
Isso cria uma armadilha. O profissional precisa focar no jogo, na recuperação, na contratação, na montagem do elenco e na próxima competição. Ao mesmo tempo, precisa enfrentar problemas que não nasceram dentro de campo, mas que chegam até ele de qualquer forma.
As Brabas construíram uma trajetória de protagonismo na modalidade e transformaram o departamento em uma das grandes referências do futebol brasileiro. No entanto, nem mesmo esse trabalho parece totalmente protegido das turbulências institucionais.
O vice-campeonato diante do São Paulo permite discutir desempenho, escolhas, elenco e futebol. Mas seria injusto atribuir às jogadoras uma conta que também envolve problemas estruturais do clube.
Quando todo mundo joga sem saber o que pode acontecer amanhã
E isso vale para o futebol masculino também. O momento atual do time, a pressão sobre Fernando Diniz, as dificuldades esportivas e a necessidade de encontrar soluções para a temporada não podem ser analisados completamente separados do cenário institucional. O campo tem seus próprios problemas, claro. Mas o Corinthians frequentemente acrescenta dificuldades que não precisariam existir dentro dele.
O torcedor acaba ficando preso nesse ciclo. Reclama do time, cobra o treinador, questiona os jogadores e exige respostas. Só que, ao mesmo tempo, precisa acompanhar transfer bans, problemas financeiros, decisões políticas e disputas internas que deveriam estar muito mais distantes do gramado.
O futebol pode errar. Uma contratação pode dar errado. Um treinador pode tomar uma decisão equivocada. Uma jogadora pode perder um pênalti. Isso faz parte do esporte. O que não pode virar rotina é o clube criar, fora do campo, obstáculos que depois serão cobrados justamente de quem está dentro dele.
No Corinthians, essa história já é antiga demais para ser tratada como um episódio isolado. A diferença é que agora até um dos departamentos que mais entregaram resultados ao clube está sentindo o impacto.
Fonte: br.bolavip.com



