A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu endurecer o jogo fora das quatro linhas. Na última quinta-feira (29), a entidade confirmou que acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitando a abertura de uma investigação criminal contra Alexandre Domênico, o Alê, presidente da Gaviões da Fiel, a principal organizada do Corinthians. O motivo? Uma publicação feita por ele nas redes sociais com tom de ameaça à arbitragem.
Na representação entregue ao MP, a CBF não poupou palavras: classificou a postagem de Alê como tendo “natureza intimidatória”, enquadrando a conduta nos crimes de ameaça e incitação ao crime previstos no Código Penal. Além disso, a entidade citou a Lei Geral do Esporte para reforçar a acusação de incitação à violência em evento esportivo. Ou seja, a coisa ficou séria.
Mas a pressão não veio só da CBF. Antes mesmo dessa representação, integrantes do MP-SP já haviam se reunido com Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). O encontro resultou no envio de um ofício solicitando que a parte contrária se manifeste no prazo de cinco dias. Como se não bastasse, a CBF também pediu medidas judiciais para reforçar a segurança dos árbitros e impedir que Alexandre Domênico frequente estádios ou se aproxime da arbitragem.
Diante do vendaval, Alê tratou de se explicar. Em seus stories no Instagram, ele rebateu as acusações e tentou desarmar a crise, deixando claro que sua intenção nunca foi ameaçar ninguém. Confira a íntegra do desabafo:
“Vamos lá. O que eu postei foi no meu perfil, como corinthiano, e não em nome do Gaviões. Falei como torcedor, de cabeça quente, igual a milhões de corinthianos que já não aguentam mais ver o Corinthians sendo prejudicado jogo após jogo.
E não é de hoje. Não é só por causa deste jogo. Isso vem de muito tempo. Para vocês terem noção, o Corinthians ficou 31 rodadas do Campeonato Brasileiro sem ter um único pênalti marcado a seu favor.
Não estou falando de um lance isolado ou de uma reclamação pontual. É um sentimento que vem se acumulando há muito tempo entre os torcedores. E, justamente quando finalmente um lance é marcado, olha o que acontece: nosso jogador caiu na área e levou amarelo por simulação.
Aí o VAR ficou um tempão analisando o lance para, no fim, mostrar que era pênalti para nós. Ou seja, quase fomos punidos por uma falta que fizeram contra a nossa equipe. Precisou do VAR para enxergar o que todo mundo viu.
E, para completar, no último lance da partida, houve mais um puxão de camisa dentro da área, em um lance que muitos também entenderam como pênalti, mas que não foi marcado. São situações como essas que alimentam a sensação de injustiça e revoltam a torcida.
Quando eu falo que ‘o juiz roubou’, é o que todo torcedor fala desde sempre, na arquibancada, no bar ou no grupo de amigos. Ninguém entende isso como acusação de crime, ninguém pensa em assalto. É um desabafo do futebol, sempre foi. Então eu pergunto: o torcedor não pode mais reclamar? Não pode mais dizer que o juiz roubou?
E, sobre o resto, está escrito no próprio story: não foi ameaça e nunca será. Falei das mensagens que recebi de torcedores revoltados justamente para mostrar o clima que esses erros estão criando, não para incentivar ninguém a nada. Tanto que a arbitragem saiu do estádio tranquilamente e ninguém foi atrás de ninguém.
Vou continuar cobrando, com a voz que todo torcedor tem, uma arbitragem justa e transparente. É só isso que a gente quer: que o jogo seja decidido dentro de campo.
Vai, Corinthians!”, publicou.
Fonte: br.bolavip.com



