Caso Rojo: o que a final da Libertadores tem a ver com o Flamengo?

Caso Rojo: o que a final da Libertadores tem a ver com o Flamengo?

A decisão da Libertadores ganhou um capítulo nos tribunais, e o Flamengo não quer deixar barato. O clube carioca contestou formalmente a escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal e busca reverter o resultado na Justiça desportiva. O Palmeiras, claro, observa tudo de perto — afinal, qualquer mexida na classificação argentina pode mexer com o tabuleiro da final.

Entenda o imbróglio: a Conmebol inicialmente barrou a inscrição de Rojo, contratado às pressas pelo Estudiantes para reforçar a defesa. O clube argentino tentou usar a vaga do volante Gabriel Neves, lesionado, mas a entidade considerou que a manobra não cumpria os requisitos do regulamento. O Estudiantes então correu para o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), que concedeu uma medida cautelar liberando o zagueiro. Com a autorização provisória, Rojo entrou em campo na volta contra o Flamengo, no Maracanã.

É exatamente aí que o Flamengo finca o pé. O argumento rubro-negro é que a liminar do TAS não apagou a responsabilidade do Estudiantes diante das regras da Libertadores. O clube pede a punição prevista para escalação irregular, que pode render derrota por 3 a 0. Do outro lado, a defesa argentina sustenta que Rojo jogou amparado por uma decisão judicial que autorizava sua inscrição. A pergunta que vale milhões: quais efeitos jurídicos a liminar realmente produziu e há espaço para sanção disciplinar?

O histórico da competição mostra que resultado pode virar na mesa. Em 2018, o Santos empatou em 0 a 0 com o Independiente, na Argentina, pelas oitavas, mas foi punido pela escalação de Carlos Sánchez, que carregava suspensão pendente de torneio anterior. A Conmebol transformou o placar em derrota santista por 3 a 0, e o clube brasileiro não conseguiu reverter no jogo de volta. Esse é um dos precedentes mais fortes para medir o alcance das regras disciplinares no continente. Só que existe uma diferença crucial: Sánchez não havia cumprido a suspensão, enquanto Rojo teve autorização provisória do TAS para atuar.

A Chapecoense também sentiu na pele esse tipo de punição. Em 2017, venceu o Lanús por 2 a 1, mas escalou Luiz Otávio, que tinha suspensão pendente. A Conmebol mudou o placar para 3 a 0 a favor dos argentinos, resultado que ajudou a eliminar o time catarinense na fase de grupos. Ou seja: a consequência de uma irregularidade não fica só na multa ou na advertência administrativa — dependendo da infração e da decisão disciplinar, ela pode alterar a tabela e comprometer uma campanha inteira. Para o Palmeiras, esse precedente ajuda a medir o tamanho do impacto esportivo de uma eventual mudança no resultado da semifinal.

Mas nem tudo termina em punição na Libertadores. Em 2018, o River Plate usou Bruno Zuculini, que também tinha suspensões pendentes, e não recebeu a mesma sanção aplicada ao Santos. A diferença passou, entre outros fatores, pela atuação da própria Conmebol e pela ausência de reclamações dentro do prazo regulamentar pelos adversários do clube argentino.

O Santos chegou a questionar o tratamento recebido e invocou o princípio da isonomia. Esse episódio joga uma questão importante na análise do caso Rojo: a entidade precisa examinar não só a situação do atleta, mas também as circunstâncias do procedimento. No fim das contas, o Flamengo aposta no regulamento, o Estudiantes se agarra à liminar, e o Palmeiras — com um olho na final — acompanha cada movimento. Quem sai ganhando? Só o tribunal pode dizer.

Fonte: br.bolavip.com

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