Rogério Caboclo, ex-presidente da CBF, decidiu oficializar sua intenção de concorrer à presidência do São Paulo Futebol Clube. A candidatura, porém, ainda precisa ser validada internamente pela oposição, que está em processo de escolha do nome que representará o grupo na eleição. Nos últimos dias, Caboclo vem intensificando conversas com conselheiros e conselheiras do clube, buscando apoio para sua empreitada.
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, o dirigente destacou que sua principal arma na disputa será a vasta experiência acumulada em mais de duas décadas de futebol. Caboclo já foi diretor e conselheiro do São Paulo, além de ter passado por cargos na Federação Paulista e na Confederação Brasileira de Futebol. Essa bagagem, segundo ele, é o que o diferencia e o prepara para liderar o clube em um momento de turbulência.
O cenário atual do Tricolor é de crise, tanto financeira quanto esportiva, e é exatamente nesse contexto que Caboclo pretende apresentar um projeto estruturado em cinco pilares: governança, finanças, futebol profissional, categorias de base e clube social. A plataforma completa, no entanto, só será revelada posteriormente, conforme adiantou a nota.
A trajetória de Caboclo no São Paulo começou cedo. Ele é sócio desde 1990 e conselheiro vitalício desde 1998. Entre 2000 e 2002, ocupou os cargos de diretor-adjunto de Marketing e diretor financeiro. Na nota, ele faz questão de lembrar que, quando assumiu as finanças do clube, encontrou um déficit, mas deixou a função com saldo positivo em caixa — um feito que usa como prova de sua capacidade de gestão.
A passagem pela CBF também é usada como trunfo. Caboclo foi presidente da entidade, CEO, chefe de delegação na Copa do Mundo de 2018 e integrou comitês executivos da FIFA e da CONMEBOL. Durante sua gestão, a receita da CBF saltou de R$ 263 milhões para R$ 957 milhões entre 2010 e 2019, além de conquistas expressivas das seleções brasileiras. Esses números são citados como evidência de que ele sabe gerar resultados.
Por outro lado, a candidatura não virá sem controvérsias. O período de Caboclo à frente da CBF terminou em 2021, após denúncias de assédio sexual e moral feitas por uma funcionária. Ele sempre negou as acusações, e a nota atual afirma que a Justiça não o condenou criminalmente. Em um dos casos, houve transação penal homologada, sem reconhecimento de culpa; os demais procedimentos foram arquivados ou encerrados. A defesa ainda ressalta que, segundo certidões judiciais, Caboclo não responde a processo criminal atualmente.
Esse histórico, inevitavelmente, deve virar tema de debate na eleição. A oposição terá que avaliar se o nome de Caboclo é o mais forte para enfrentar a situação, considerando tanto sua experiência quanto as sombras do passado. Para ele, o que importa é o futuro: um São Paulo mais organizado, com compliance e gestão de riscos, dívida reestruturada e uso de tecnologia para aprimorar a formação e a contratação de atletas.
Resta saber se Caboclo conseguirá convencer os conselheiros de que é o nome certo. A disputa interna promete ser acirrada, e o ex-dirigente terá que mostrar, na prática, que sua experiência é mais do que um currículo — é a solução para os problemas do clube.
Fonte: br.bolavip.com



