O cenário no futebol brasileiro está longe de ser tranquilo. A MP das Bets trouxe uma onda de incerteza que ameaça diretamente os cofres dos clubes, e o Flamengo não está imune. O Mais Querido pode perder um patrocínio milionário: são R$ 268,5 milhões por temporada vindos da Betano, valor que está com os dias contados se a medida provisória seguir em frente.
José Boto, diretor de futebol do Rubro-Negro, não fugiu do assunto. Em coletiva, ele seguiu a linha do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e pintou um quadro preocupante para a próxima temporada. A crise, segundo ele, pode bater forte na montagem do elenco.
O dirigente foi além: repetiu o discurso de Bap sobre as dificuldades para honrar dívidas com outros clubes e também as parcelas de contratações, como a de Lucas Paquetá — a maior transação da história do clube. E deixou no ar uma pergunta que ecoa entre os torcedores: será que esse é um alerta para 2027?
Caso o contrato com a casa de apostas seja rescindido, a alternativa mais imediata, segundo Boto, é vender atletas para fazer caixa. “É uma das coisas que podem acontecer: ter que vender jogadores para pagarmos os compromissos que temos. Nós não vamos ficar devendo os compromissos que temos que pagar”, afirmou.
O enfraquecimento da equipe é uma consequência quase inevitável nesse cenário. Boto pediu compreensão da torcida, pois a realidade financeira mudará drasticamente. Com menos renda, a diretoria acredita que não conseguirá um novo patrocínio no mesmo patamar. E o time pode acabar vendendo jogadores sem conseguir repor com a mesma precisão.
“Como não podemos comprar porque para comprarmos precisamos de dinheiro, que é uma coisa que não temos neste momento”, explicou. “Estamos falando no pior cenário, de não ter esse patrocínio. E o pior cenário, talvez, passe por termos que vender alguns jogadores, ou dois ou três jogadores, e não conseguirmos repor com a mesma qualidade.”
Apesar do tom sombrio, Boto fez questão de tranquilizar sobre um ponto: os salários. Mesmo com a possível queda orçamentária, ele garante que os pagamentos a jogadores e funcionários não serão atrasados. “Desde que essa medida foi implementada temos reuniões diárias com o presidente. Estamos trabalhando com vários cenários”, contou.
“Mesmo no pior, nunca estarão em risco os salários dos jogadores e dos funcionários. Isso nunca vai estar em pauta, é sagrado. O que vai estar em pauta são os compromissos que assumimos com os outros clubes. E é neste cenário que estamos trabalhando”, finalizou.
O recado está dado: o Flamengo se prepara para tempos de vacas magras, e a torcida precisa estar pronta para entender que o time pode perder peças importantes sem conseguir repor à altura. É esperar para ver se o pior cenário se confirma ou se o clube encontrará alternativas para manter a competitividade.
Fonte: br.bolavip.com



