O torcedor cruzeirense que acompanha a Raposa de perto já percebeu: Lucas Silva, um dos maiores símbolos do clube neste século, segue com pouquíssimo espaço sob o comando de Artur Jorge. O camisa 16 não entrou em campo mais uma vez, e a pergunta que não cala na cabeça da torcida é simples — por quê? O treinador português, em entrevista à Rádio Itatiaia, abriu o jogo e explicou o que está por trás dessa escolha.
Antes de qualquer coisa, Artur Jorge fez questão de deixar claro que reconhece o peso de Lucas Silva dentro do Cruzeiro. Para o comandante, o medalhão é muito mais do que um jogador de elenco: é uma liderança natural, uma referência no vestiário e um profissional que treina no seu limite todos os dias. Segundo ele, nada disso está em discussão.
O ponto central, porém, passa pela forma como o treinador enxerga o futebol neste momento. Artur Jorge prefere um meio-campo mais dinâmico, com jogadores que se movimentem intensamente e imprimam ritmo à equipe. E, na avaliação dele, Lucas Silva não ofereceria esse perfil neste instante — o que justifica a opção por não utilizá-lo com frequência.
“É um símbolo do clube. Sinto que é uma posição mais ingrata para ele, mas é um jogador que trabalha, se dedica e treina sempre no seu melhor. É um jogador que tem sido um grande líder no vestiário e que tem sido aquilo que se espera de um grande profissional e de um ídolo do clube”, declarou o técnico.
Na sequência, ele reforçou que a decisão é estritamente técnica: “As menos oportunidades têm apenas e só uma dinâmica e uma ideia de jogo que eu entendo que, neste momento, acaba por ter menos espaço para que ele possa ser utilizado mais vezes. Apenas isso. De resto, máximo respeito e admiração por aquilo que é o seu presente e seu passado”.
O que chama atenção no caso é o contraste. Lucas é um dos atletas com maior identificação com a torcida e com a história recente do clube. É verdade que o tempo passa para todo mundo e que o rendimento dele caiu em relação aos melhores anos. Só que a dúvida que fica no ar é legítima: alguns concorrentes do setor não vivem grande fase, mas seguem recebendo sequência, enquanto o ídolo amarga o banco.
A Rádio Itatiaia trouxe um dado que escancara a situação. Desde a pausa para a Copa do Mundo, Lucas Silva participou de apenas quatro partidas, somando pouco mais de 60 minutos em campo no total. É muito pouco para quem carrega tanta história com a camisa celeste.
Diante do desempenho irregular de algumas peças do meio-campo, é natural que a torcida questione por que o medalhão não recebe uma nova chance. Afinal, seus concorrentes diretos também não estão em fase suficiente para serem tratados como intocáveis. A resposta, pelo menos por enquanto, segue sendo a mesma: é uma questão de ideia de jogo.
Fonte: br.bolavip.com



