Se Arthur realmente estiver livre no mercado, o Grêmio precisa, no mínimo, tentar trazê-lo de volta. Não estou dizendo que será uma negociação simples. Sabemos que há clubes no Brasil com muito mais poder financeiro e condições de oferecer salários mais altos. Mas é exatamente nesse ponto que surge uma cobrança que, na minha visão, precisa ser feita à diretoria: será que nossos executivos sabem vender um projeto ou apenas se sentam à mesa esperando ouvir quanto o jogador quer ganhar?nnNem toda negociação é vencida com dinheiro. Arthur conhece o Grêmio, sabe o peso da camisa e entende perfeitamente o que significa vestir esse uniforme. Então, por que não sentar com ele e abrir o jogo? Apresentar a realidade financeira do clube, explicar até onde o Grêmio pode ir e, principalmente, perguntar se o amor dele pelo clube vai além do bolso.nnÉ claro que um jogador profissional tem carreira, família e interesses financeiros. Ninguém está pedindo para Arthur vir jogar de graça ou aceitar qualquer coisa. Mas o futebol também é feito de escolhas. E, muitas vezes, o projeto, a identificação e o desejo de voltar para casa podem pesar tanto quanto uma proposta mais vantajosa.nnÉ nesse momento que eu quero ver os dirigentes do Grêmio agindo como verdadeiros vendedores do clube. Porque aceitar as condições impostas por empresários e atletas é fácil. Difícil é argumentar, negociar, apresentar um projeto e convencer alguém de que vale a pena escolher o Grêmio mesmo tendo outras opções.nnTecnicamente, nem precisamos discutir muito. Arthur é um jogador de altíssima qualidade. E eu, particularmente, adoraria vê-lo formando um meio-campo ao lado de Villasanti. Um atleta capaz de organizar, aproximar os setores e dar qualidade à saída de bola, permitindo que o paraguaio tivesse mais liberdade para aparecer no ataque.nnImagino Arthur ajudando na construção e se aproximando de Krovinovic, dando ao Grêmio uma qualidade de passe que o time procura há bastante tempo. Villasanti poderia ser liberado em determinados momentos para atacar mais os espaços e chegar de trás, algo que já mostrou que sabe fazer.nnAté porque o meio-campo gremista ainda gera muitas dúvidas. Nardoni é um caso que, sinceramente, não consigo entender. O jogador mostrou no Racing uma capacidade que, até agora, não repetiu no Grêmio. Falta confiança? Ele não está feliz? É adaptação? Não sei. Mas chama atenção que, nas imagens de bastidores, muitas vezes ele pareça quieto, distante, sem demonstrar aquela energia que esperamos de um jogador recém-chegado tentando conquistar espaço.nnPor isso, volto a Arthur. Se existe uma oportunidade, o Grêmio precisa tentar persuadi-lo. Mostrar o momento do clube, explicar a necessidade de reconstrução e dizer claramente: “Nós queremos você aqui. Precisamos de você. Mas essa é a nossa realidade”. Depois disso, cabe ao jogador decidir.nnTalvez ele escolha outro clube. Talvez receba uma proposta impossível de competir. Faz parte. O que não pode acontecer é o Grêmio simplesmente assistir de longe porque, antes mesmo de negociar, concluiu que não tem dinheiro para disputar. Nem toda contratação começa pelo valor. Algumas começam pela conversa certa.nnEntão, se Arthur realmente estiver disponível, quero ver a capacidade de negociação da nossa direção. Quero ver se temos executivos capazes de vender uma ideia, defender um projeto e usar a história do jogador com o clube como argumento. Porque sentar em uma mesa e apenas aceitar números é muito fácil. Agora é hora de descobrir se, dentro do Grêmio, também existem bons vendedores.
Fonte: br.bolavip.com



