Arrascaeta tem uma fórmula que parece simples para o Flamengo faturar o Brasileirão: cuidar da própria casa e deixar que os concorrentes resolvam a vida deles. “Não interessa o rival, vamos pensar na gente. O mais importante é ganhar cada jogo, e os demais façam o que fizerem”, disparou o uruguaio depois da vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, resultado que recolocou o rubro-negro na liderança. O camisa 10 está certíssimo quando prega foco no próprio trabalho. Só que, na reta final de um campeonato tão nivelado, essa máxima também esbarra em limites bem concretos.
O Flamengo chegou aos 70 pontos, o Palmeiras ficou com 69, ambos após 32 rodadas. São seis jogos pela frente, 18 pontos em disputa e uma diferença que some em uma única rodada. A tabela, portanto, não deixa nenhum dos dois viver a própria campanha como se fosse uma ilha. O resultado de um mexe direto na pressão sobre o outro. A briga pelo título exige olhar para os dois lados, queira o jogador ou não.
Os números explicam por que essa corrida não se resume à posição atual. O Flamengo tem 21 vitórias, sete empates e quatro derrotas, com 64 gols marcados e 27 sofridos. O Verdão soma 20 vitórias, nove empates e três derrotas, além de 56 gols a favor e 22 contra. O time carioca venceu mais e produziu mais no ataque; o paulista perdeu menos e tem números defensivos melhores. São caminhos distintos para campanhas igualmente robustas, com diferença mínima na pontuação.
Há uma ironia saborosa nessa comparação. Se a tabela premia o Flamengo pelo volume maior de vitórias, ela também escancara que o Verdão soube evitar derrotas com mais frequência. Os oito gols a menos marcados pelo time paulista não apagam os cinco gols a menos sofridos. Nenhum desses recortes, sozinho, decide quem merece o título. Mas eles ajudam a entender por que o Palestra segue tão perto mesmo depois de perder a liderança. A campanha construída até aqui não garante recuperação, assim como a vantagem rubro-negra não é sentença antecipada.
O peso do mando de campo
O desempenho por mando de campo reforça essa proximidade. Após a 32ª rodada, SEP e CRF somavam 39 pontos como mandantes, com aproveitamento de 81,3% nesse recorte. Fora de casa, o Flamengo tinha 31 pontos, contra 30 do rival. A diferença existe, mas é pequena. O Verdão, inclusive, havia sofrido menos gols como visitante. Não há disparidade que permita atribuir a liderança a uma superioridade absoluta em casa ou fora: a distância foi construída na soma dos resultados, e será nessa mesma soma que o título será decidido.
O calendário também impede que a disputa seja tratada como simples contagem regressiva. O Palestra precisa atravessar seis rodadas do Brasileirão enquanto disputa a semifinal da Copa do Brasil contra o Vasco, com partidas previstas para 1º e 8 de novembro. Entre esses compromissos, há um jogo do campeonato nacional contra o Remo. É uma sequência que exige planejamento físico, recuperação e decisões sobre o uso dos titulares. Abel Ferreira não pode ignorar a possibilidade de administrar a carga do elenco, mas tampouco pode deixar a competição nacional perder importância justamente quando a liderança está ao alcance.
O Flamengo, por sua vez, tem uma agenda diferente, sem a semifinal da Copa do Brasil para dividir sua atenção nesse período. Isso oferece ao clube carioca outra condição de preparação, embora não transforme seus compromissos em jogos simples nem garanta resultados positivos. Seria precipitado afirmar que o Palmeiras necessariamente precisará poupar jogadores ou que o Flamengo terá vantagem decisiva por disputar menos partidas. O dado concreto é que as duas equipes enfrentarão circunstâncias distintas. Quando a margem na tabela é d
Fonte: br.bolavip.com



