Quando Jhon Arias está em campo, algo muda no Palmeiras. Não é só a posse de bola ou o volume de jogo — é a capacidade de transformar pressão em gol. O colombiano já soma oito gols e seis assistências em 35 partidas na temporada, números que ganham ainda mais peso no Brasileirão: quatro gols e três assistências em 19 jogos. Mas o que acontece quando ele não joga? O confronto contra o Botafogo deu uma pista clara.
O Palmeiras teve 67% de posse, finalizou 17 vezes, mas não marcou. Parece contraditório, certo? Um time que domina tanto e não consegue balançar as redes. A verdade é que, sem Arias, o Verdão até produz volume, mas perde uma fonte direta de perigo. E é exatamente aí que mora o desafio para Abel Ferreira.
Não dá para dizer que o Palmeiras deixa de atacar sem o colombiano. Contra o Botafogo, a equipe passou boa parte do jogo no campo adversário, criou chances, mas faltou algo. Faltou aquele algo que Arias entrega de forma quase automática: a capacidade de transformar uma jogada individual em gol ou assistência. Sem ele, as responsabilidades ofensivas precisam ser redistribuídas entre vários jogadores, e isso muda a dinâmica do ataque.
Com Arias, o Palmeiras ganha uma alternativa extra. Ele pode receber a bola, conduzir, se associar com os companheiros e finalizar sem depender de uma construção coletiva longa. É um jogador que resolve problemas. Sem ele, o time precisa de mais combinações entre meio-campistas, laterais e atacantes para chegar ao gol. Andreas Pereira ganha mais importância na criação, os laterais precisam avançar mais, e os atacantes dividem a responsabilidade pelo último passe.
Os números de Arias em 2026 são impressionantes: 14 participações diretas em gols (oito gols e seis assistências). Na Libertadores, são três gols e duas assistências; na Copa do Brasil, um gol; no Brasileirão, sete participações. E ele não faz isso apenas contra times menores. Marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo no Morumbis, em um confronto direto pela liderança. Contra o Vitória, participou de dois gols na goleada por 4 a 0. Contra o Vasco, também deixou sua marca na vitória por 4 a 1.
A ausência de Arias contra o Botafogo levantou uma questão inevitável: foi um erro do técnico? Não dá para afirmar com certeza que sua presença desde o início garantiria a vitória. Mas os dados mostram que, sem ele, o ataque perde em eficiência. O Palmeiras finalizou 17 vezes, com cinco no alvo, enquanto o Botafogo teve apenas quatro finalizações no alvo. O domínio territorial foi evidente, mas o gol não saiu.
Arias entrou aos 63 minutos e tentou mudar esse cenário. Ele ofereceu uma alternativa diferente para um ataque que já tinha volume, mas faltava precisão. O que fica claro é que, sem Arias, o Palmeiras precisa de mais tempo e mais combinações para criar chances claras. Com ele, a história é outra: a jogada pode ser resolvida em um lampejo de genialidade.
Abel Ferreira tem um desafio tático em mãos: como manter a intensidade ofensiva sem depender tanto de um único jogador? A resposta pode estar em adaptar o esquema, mas os números mostram que Arias é uma peça fundamental. Quando ele não joga, o Palmeiras continua atacando, mas a qualidade da produção diminui. E no futebol de alto nível, é a qualidade que faz a diferença.
O próximo jogo será um teste importante. Com Arias novamente à disposição, o Palmeiras deve recuperar aquela conexão ofensiva que faz a diferença em jogos decisivos. Mas a lição fica: o time precisa encontrar alternativas para quando ele não estiver em campo, porque depender demais de um único talento pode ser um risco no longo prazo. E essa é a verdadeira questão que Abel precisa resolver.
Fonte: br.bolavip.com



