Jhon Arias não engoliu as cobranças sobre o rendimento ofensivo do Palmeiras e tratou de responder à altura. Após o triunfo por 1 a 0 sobre o Vasco, na semifinal da Copa do Brasil, o colombiano foi perguntado se o time estaria devendo — e devolveu na hora, lembrando que o Verdão é o único clube brasileiro ainda vivo nas três competições. “Mas, devendo, zero”, disparou o camisa 11, sem meias palavras.
A defesa de Arias, porém, não esconde o que ainda precisa evoluir. O próprio jogador admitiu que o Palestra criou chances de sobra para construir uma vantagem maior, só que não soube converter. Na visão dele, faltou “mais calma” na hora das finalizações. Ele também fez questão de valorizar o adversário e lembrou que jogos decisivos costumam ser equilibrados. Essa leitura joga luz no ponto central: o Palmeiras produz, mas ainda pode afiar o ataque para ser mais letal.
E uma dessas alternativas surgiu justamente na atuação de Arias pelo lado esquerdo. Em análise publicada no ge, Rodrigo Coutinho destacou a relevância da aproximação entre os jogadores e da ocupação dos espaços na construção ofensiva palmeirense. A sacada ajuda a entender um movimento que merece toda a atenção de Abel Ferreira: o colombiano passou a encontrar condições de receber por dentro, enquanto Piquerez oferecia profundidade pelo corredor. Mais do que uma jogada individual, é um novo jeito de o time funcionar coletivamente.
Arias não precisa ficar grudado na linha lateral para dar amplitude ao Verdão. Ao ocupar os espaços internos, ele obriga o adversário a escolher: ou o acompanha por dentro, abrindo caminho para a progressão de Piquerez, ou mantém a estrutura defensiva e concede ao atacante tempo para organizar a jogada. É uma decisão desconfortável para quem defende, principalmente quando o meia recebe de frente e encontra alternativas de passe.
É aí que entra a dupla dinâmica na ala esquerda palestrina. Piquerez deixa de ser apenas o cara que sustenta a amplitude pelo lado esquerdo. Sua ultrapassagem ganha uma função direta ligada à ocupação interna de Arias. Enquanto o colombiano se aproxima dos jogadores de meio e atrai a marcação, o uruguaio pode atacar o espaço deixado nas costas da linha adversária. Os dois passam a ocupar zonas complementares, sem disputar a mesma faixa do campo — e Piquerez tem papel fundamental para o desempenho de Jhon Arias.
A participação de Arias na jogada do gol de Maurício ilustra bem sua capacidade de articulação. O colombiano recebeu uma cobrança de lateral, protegeu a bola diante de três adversários e manteve a posse até que Marlon Freitas recuperasse a jogada e encontrasse o meia-atacante infiltrando na defesa. O lance mostrou como Arias consegue sustentar uma construção mesmo sob pressão, permitindo que outros jogadores aproveitem os espaços criados.
Essa organização também tende a beneficiar Flaco López e Maurício. O argentino ganha uma alternativa de aproximação para tabelas e combinações, enquanto Maurício encontra condições de aparecer em zonas mais próximas da área sem precisar recuar constantemente para participar da construção. A presença de Arias entre as linhas pode atrair marcadores e liberar espaços para infiltrações.
A produção ofensiva contra o Vasco reforça a importância dessa discussão. O Alviverde terminou o confronto com 17 finalizações, mas apenas três foram no alvo. O volume de oportunidades indica que a equipe conseguiu chegar ao ataque, embora a conversão tenha ficado abaixo do que poderia proporcionar uma vantagem mais confortável. É justamente nesse ponto que a combinação entre Arias e Piquerez pode fazer a diferença.
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