Abel insiste em 3 zagueiros e 3 volantes e revolta torcida contra o Santos

Abel insiste em 3 zagueiros e 3 volantes e revolta torcida contra o Santos

O Palmeiras entrou melhor no clássico contra o Santos, mas a impressão inicial de domínio durou pouco. Depois dos primeiros 15 minutos, o time perdeu o controle da partida e viu o adversário crescer. A escalação de Abel Ferreira, com três zagueiros e três volantes, virou o centro das críticas — e não é difícil entender o motivo.

A reorganização do Santos aconteceu ainda na primeira etapa. Por volta da metade do primeiro tempo, Cuca compactou o meio-campo e fechou os espaços que o Verdão havia explorado no início. O treinador santista parece ter lido bem a estrutura palmeirense e ajustou o posicionamento da equipe para dificultar a circulação de bola do adversário.

O problema começa na construção. Com três zagueiros e três volantes, espera-se que o Palmeiras tenha alternativas para sair sob pressão, mas a superioridade numérica em setores recuados não se traduziu em fluidez. Quando o Santos fechou os espaços centrais, faltaram opções de passe capazes de romper a primeira linha de marcação e acelerar a progressão. O resultado foi um time travado, que não conseguia conectar defesa, meio-campo e ataque.

A bola não chegava com qualidade aos jogadores mais adiantados, e o Santos ganhava confiança para ocupar o meio e limitar as alternativas de circulação. O Palmeiras acumulava jogadores no setor central, mas sem ganhar criatividade ou profundidade. Ter três volantes não garante controle do meio-campo quando a equipe não encontra linhas de passe para superar a pressão adversária.

O isolamento de Flaco López foi a consequência mais visível desse funcionamento. Sem jogadores próximos para tabelar, atacar os espaços ou disputar a segunda bola, o centroavante ficou dependente de ações individuais e de disputas físicas. O argentino pode servir como referência para o jogo direto, mas precisa de aproximação para que a jogada tenha continuidade.

A avaliação do jornalista Leonardo Barbieri nas redes sociais sintetizou parte dessa insatisfação. Para ele, a combinação de três zagueiros e três volantes deixa o Palmeiras sem velocidade, saída de bola e profundidade. Barbieri também criticou a dependência dos lançamentos longos e das disputas aéreas de Flaco López, em uma equipe que oferece poucas alternativas de criação.

Além da questão tática, a torcida demonstrou insatisfação com a queda de intensidade. Depois do bom início, o Palmeiras passou a perder divididas e a demonstrar menos capacidade de competir em um clássico decisivo. A cobrança envolve tanto a organização escolhida por Abel quanto a resposta coletiva diante dos ajustes promovidos pelo Santos.

Abel começou o segundo tempo sem alterar a estrutura, mantendo em campo a configuração que já provocava questionamentos. Parte dos torcedores também defendia alternativas como Maurício, cuja entrada poderia acrescentar outra característica ao setor ofensivo. A discussão não se limita a trocar nomes, mas a encontrar uma maneira de fazer a bola chegar ao ataque com mais qualidade.

O principal dilema de Abel está em fazer o sistema oferecer equilíbrio sem comprometer a construção ofensiva. A reorganização do Santos dificultou a saída de bola, reduziu os espaços e deixou mais evidente a distância entre Flaco e seus companheiros. Se o Palmeiras não conseguir corrigir essas conexões, a presença de três zagueiros e três volantes continuará expondo limites táticos — e a paciência da torcida, cada vez mais curta.

Fonte: br.bolavip.com

Compartilhar